18/10/2008

Motoboys – Vida Loca


Existe um grupo vital para a sociedade moderna, fiel entre si, independente, rebelde e com sua própria ética e moral. Dono de um comportamento suspeito e por vezes ilegal, esse proletariado urbano surgiu sem qualquer planejamento para se transformar num dos mais polêmicos fenômenos. O documentário Motoboys, Vida Louca, do publicitário e cineasta Caito Ortiz, registra in loco a vida de 5 motoboys, entre eles uma motogirl, revelando sua intimidade e comportamento, seus medos e sonhos.

Há o pai de família que exerce a profissão há doze anos e preza pela sua segurança. Tem o outro que vara a madrugada nas ruas atrás de uns trocados a mais - mesmo com o perigo de ter a moto roubada pela enésima vez. Há o típico cachorro louco que coleciona cicatrizes e não vislumbra mais do que um acidente mortal num dia de azar. E existe a mulher de meia idade, divorciada, que perdeu um filho, e depende do frenesi constante das entregas para não pensar na própria vida.

No retrato dessa rotina, contudo, não faltam seus aspectos mais duros. Como a necessidade de trabalhar longas horas para juntar algum sustento, ou o desamparo legal, que obriga a cobrir, do próprio e magro bolso, os prejuízos freqüentes com acidentes e roubos – sem falar no constante risco de vida. Motoboys, porém, não tem intenção de apelar à piedade. Repleto de personagens curiosos e de boas entrevistas, o filme de Ortiz mira longe: fala dos motoboys para tomá-los como metáfora da tensão com que se vive numa megalópole – e também para celebrá-los como símbolo da efervescência urbana.

Mais urgente, por exemplo, é entender que sem os entregadores sobre rodas - fenômeno urbano que há anos substituiu os pedestres officeboys - a máquina financeira, estatal e social acaba engessada. É entender que a maioria dos quase 300 mil motoboys de São Paulo não têm registro, benefícios ou direitos.


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